Comunicação e Expressão Criativa


Ao interagirmos nas mídias sociais, comumente nos deparamos com discussões em torno de um algum tema polêmico. Outro dia, em um desses grupos, no calor desses debates, um dos envolvidos se expressou com uma poesia, causando em um receptor, habituado à literalidade, manifestações de estranheza e incompreensão da mensagem. Imagino como deve ser difícil viver nesses tempos e não conseguir compreender uma comunicação criativa, através de uma pintura, poesia, música ou qualquer forma de expressão que fuja de uma concepção linear de mundo. Vejo isso como um tipo de insensibilidade ou, em certo nível, uma dificuldade de ouvir o que o outro tem a dizer. 

Muita gente diz querer um mundo melhor, mas é incapaz de perceber a própria insensibilidade e intolerância. Aponta o problema como se estivesse fora dele ou se comporta como uma de suas vítimas, não tendo consciência de que pode estar sendo propagadora de tudo o que está assistindo e vivenciando. Da mesma forma, embora muitas pessoas defendam a ideia de uma comunicação mais criativa, elas próprias não se acham capazes de criar sua própria expressão da forma como gostariam, porque estão atreladas a velhos padrões de como deveriam interagir.

Uma comunicação estritamente literal está sujeita a falácias e à incompreensão por parte dos interlocutores. E, com a influência da internet, muitas informações são consumidas sem passar por um aprofundamento. As redes sociais disseminam instantaneamente no mundo inúmeras teorias com base apenas no que se ouviu ou leu; raramente é destilada a práxis. Muito do que é propagado é conteúdo falso ou coisas que provavelmente não acontecerão. É um mundo de factoides que dissemina intolerância justamente porque não é resultado de experiências vividas, mas de uma espécie de impressão delirante da realidade.

Qualquer forma criativa de expressão é uma ferramenta de compreensão mais expandida de si mesmo, à medida em que inspira uma leitura de nós mesmos além da nossa identidade. Mesmo que o exercício da nossa criatividade não esteja diretamente relacionado às belas artes ou que nos sintamos mais "confortáveis" e "seguros" nos comunicando de forma mais convencional, é inevitável reconhecer que um mundo que se encaminha pra diversidade, em todos os sentidos, vai requerer abordagens novas e diferentes de comunicação e expressão.

L.H.

(Tela: "Abacaxi Quântico" de L.H.)