Enfim, Eu Me Permito!


Um dia, quis ser um humano pleno e perfeito e achei que, para isso, deveria saber e vivenciar tudo. Porém, à medida que os acontecimentos se sucediam na minha vida, percebi o quanto esse desejo era utópico e impossível. Era como tentar acertar algo que estava em constante movimento.

Diante de situações difíceis, sempre me colocava de uma forma muito determinada e, muitas vezes, resiliente. Obedecia a uma programação que me dizia que só havia dois lados a escolher: o lado certo ou o lado errado. E eu estava ferozmente decidido que perseguir o lado certo era a razão da minha vida.

À medida que a vida acontecia, compreendi que precisava fazer uma escolha consciente: relembrar quem verdadeiramente Sou. Tal escolha se desdobrou em muitas outras, pequenas e simples, mas não menos essenciais e integradoras. Todas eram apenas sobre mim. Não envolviam outras pessoas, nem mesmo as que me rodeavam e me eram queridas.

Escolhendo relembrar minha essência, minha vida começou a se transformar. A cada experiência, algo mudava em mim... Comecei a ter consciência de que o modo como estava “sobrevivendo” já não me agradava.

Apesar da minha escolha consciente, minha identidade - baseada na valorização da força - ainda se mantinha como meu eu mais predominante, trabalhando com minhas energias, esperanças e potenciais e fazendo com que eu continuasse determinado a experimentar os extremos de sentimentos e emoções. Para mim, viver parecia mais emocionante no superlativo.

Em determinado momento, tudo ficou escuro demais, a ponto de não haver na minha vida nem uma boa garrafa de vinho pra me ajudar a clarear as ideias (risos). Mas ainda restava a minha identidade resiliente. E, com ela, muito makyo escondido nas camadas e camadas do velho e embolorado poder.

Apesar de ainda tentar entender o que estava se passando comigo, senti que havia muito saber em mim que não vinha da mente ou da minha identidade. Era algo além. A respiração consciente que eu já vivenciava, como experiência de integração dos aspectos, intensificou uma espécie de limpeza, deixando ir uma enxurrada de eus que começavam a emergir na minha vida. Depois de tantas liberações, ainda existiam sombras. O iluminado não é feito só de luz!

A partir de uma experiência em que senti a minha morte muito perto, me permiti as bênçãos e as dádivas que posso me presentear, honrando e liberando uma identidade que me serviu, mas que, agora, faz parte das experiências do passado.

A vida é o que escolhemos. Cada escolha revela potenciais. Mesmo que a nossa vida tenha se tornado um grande drama, a qualquer momento, podemos fazer novas escolhas.

Apesar da ilusão do tempo, vivencio os últimos dias de 2014, o “ano do amor árduo”, sem esperar passar os seus derradeiros dias para estar “na graça e na facilidade”. Porque permitir é, tão somente, se estar na “na graça e na facilidade” em todos os momentos, em todos os agoras.

(L.H.)

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