Atravessando os Medos


A vida pode ser fácil e simples, mas - quando a gente sente medo – se transforma em complexidade... Ainda mais se procuramos as causas do medo para analisá-lo ou discuti-lo de acordo com estudos científicos fundamentados que buscam um controle sobre ele.

Há quem diga que o medo é saudável e importante para a autopreservação. Não é à toa que o medo parece “inocente” nos contos de fadas. No entanto, se faz o impossível para evitá-lo, porque ele é parte de uma escuridão que rejeitamos. Com isso, nos tornamos fugitivos do nosso próprio “sentir”.

Talvez o meu maior medo seja o de duvidar de mim mesmo. O de duvidar de que eu sou um ser grandioso, abundante e único responsável por minhas escolhas. E isso, muitas vezes, serve para que eu esconda a minha criatividade.

A hipnose que o medo carrega dá a ilusão de que somos apenas “pequenos humanos”. Para o senso-comum, grandes homens são poderosos, fazem coisas magistrais e impressionantes, são o orgulho dos familiares e de outras pessoas que reconhecem os seus feitos. Para os “mais espiritualizados”, grandes seres são altruístas, tendo, muitas vezes, o poder de adivinhar o que acontecerá com o mundo e com as outras pessoas, aconselhando-os sabiamente sobre como controlar os seus destinos.

Ao sentir medo, sei que não é de dentro de mim que ele vem. Talvez, se fosse algo "de dentro" não se tornaria tão sombrio e estranho... Sim, o medo é algo que vem de fora. Como uma parte minha que foi embora por sentir que fez algo ruim. E, frequentemente, volta para me “atormentar” como uma vítima que espera por salvação ou precisa de mais uma lição para se sentir merecedora.

Mesmo inconscientemente, eu tentei manter o medo bem distante e evitei experiências onde ficaria cara a cara com ele (isso me custou uma energia danada!). Mas, o medo é cíclico. Cada vez que o rejeitamos, ele dá mais uma volta... E, sem demora, volta a nos encontrar.

Acredito que, para a grande maioria, o medo é desagradável. E reprimir o desagradável é catalogar o que deve ou o que não deve ser sentido, ao invés de simplesmente “sentir” e atravessar. O medo é um túnel que, visto de fora, pode parecer longo e escuro. Mas descobrimos, ao atravessá-lo, que sua “escuridão” era transitória e uma oportunidade de renascimento e de renovação. Cada vez que um medo dito como “inevitável” aparece na nossa vida, é uma chance de nos rendermos a nossa própria expansão.

Quando me deparo com o medo, respiro profundamente... Não negocio, nem faço concessões. Não necessito de “porquês” ou intencionar reparos, nem curas. Não há outro modo de lidar com o medo senão confiando em si mesmo. Não condicionando essa confiança no tempo, espaço, rituais ou qualquer outra idealização. Mas confiando em si mesmo, no agora.

O humano que evita o próprio medo ainda finge que é apenas um humano.

(L.H.)
 

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