Loucura?!

Conheci alguns casos de pessoas que foram “internadas” em instituições, porque foram “interpretadas” como “loucas” ou “desequilibradas mentais”. Inclusive, na minha adolescência, estudei em uma escola que ficava vizinha a uma instituição que tratava de pacientes com esse “desequilíbrio”. Algumas vezes, eu e outros alunos, quando estávamos em determinadas áreas do pátio, ouvíamos os gritos de quem passava pela experiência de ser internado.

Deixando de lado o mérito do que deve ou não ser normatizado como loucura (ou mesmo se ela existe da forma como é tratada), todos nós, humanos, estamos diariamente em contato com emoções e sentimentos uns dos outros. Portanto, em nossas interações, estamos sujeitos a “desequilíbrios”.

Muitos dos nossos desequilíbrios estão ligados a nossa condição humana. Mas a “não aceitação” da nossa humanidade faz com que não enxerguemos o que está além.

Apropriadamente, com as nossas experiências, fomos criando vários “eus” para estar aqui. Os “eus” padronizados como “normais” pela ciência passaram a ser encarados como nossa “identidade sadia” para o mundo. Já os “eus” que foram criados como resultado de experiências julgadas “erradas” ou inadequadas ou que estão à mercê dos ditos “problemas de saúde mental” são considerados como “identidade desequilibrada”.

Quando tive a compreensão sobre esses vários “eus” e que minha “identidade” não Sou Eu realmente, passei a não ter medo de mostrar que também sou “sombra”. Passei a liberar o medo de situações e de pessoas que possivelmente eram como “espelhos” para mim.

A expansão de consciência é desafiante, porque traz à tona os “eus” que criamos que carregam desequilíbrios e bloqueiam a nossa vida. Ao aceitar expansão, eu permito que a minha “loucura” também se apresente. Mas, quando respiro fundo e sinto quem Eu Sou, as emoções perdem o antigo significado, sendo simplesmente... Não me influenciam mais argumentos psíquicos fundamentados, que evocam traumas do passado para justificar a possibilidade de problemas no futuro.

Não escolho ser o desajustado que se interna em instituições ou o depressivo que não sabe como gerenciar as energias. Sou o “louco” com atitude, que vai além dos próprios eus, da própria história, das próprias razões. A minha “loucura” é aceitação. É ter simplicidade nos meus momentos. E isso não é ausência de profundidade, mas um não se importar em ter argumentos complexos para justificar meu próprio viver. É sentimento de quem se aceita e não tenta se proteger, analisar ou negar o agora.


(L.H.)

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