Ah, não, tudo ilusão!


Quando eu penso em relaxar na minha iluminação, logo me vem na cabeça uma linda paisagem, eu deitada numa rede com os pés pra cima. Um pensamento ideal para se relaxar. Mas isso lembra também estar num alto de uma montanha, longe de tudo e de todos, tal como alguns mestres costumavam fazer no passado.

Sei que estar iluminado ao mesmo tempo em que se está aqui na Terra é fazer parte da vida comum, é aproveitar a vida com sensualidade. Mas isso me soa um pouco teórico às vezes. Porque quando eu faço o movimento de estar “na vida”, participando, opinando, compartilhando minhas ideias, ora ou outra, eu fico puta da vida. Não tenho a mínima paciência de ver certas coisas e vou logo julgando todo o mundo. Eu construo uma percepção sobre as pessoas e os acontecimentos ao meu redor e acho que isso é a realidade em que estou inserida. E essa realidade é - claro - bem limitada. Por um momento, parece que está tudo muito limitado mesmo, quase sem escolha. A ponto de ter a sensação de que as atitudes da consciência de massa do país em que vivo e das pessoas com quem eu faço contato constantemente podem estar me influenciando ou me impedindo de realizar minha iluminação. 

Ah, não, tudo ilusão! Quando eu me dou conta disso, percebo que ando mais distraída do que eu gostaria. Eu me distraio tentando fazer com que as pessoas reflitam suas maneiras de pensar. Eu me distraio indignada ao ver como as pessoas refletem, com suas consciências medianas, os acontecimentos políticos e sociais deste país. Eu me distraio tentando entender como as religiões ainda manipulam tanto. Eu fico chocada com as atitudes enlouquecidas daqueles que maltratam os animais e a natureza. Mas, em algum momento, eu escolhi deixar o papel de sustentadora de energia para cuidar da minha própria vida. Há muita gente que está assumindo o papel de cuidar de Gaia, de protestar por uma vida melhor para todos. Eu posso ficar tranquila, se caso eu me pegue me preocupando ainda. Tudo está em movimento para uma resolução.

Por isso, sinto que relaxar na minha iluminação é não ficar no meu antigo papel em relação ao mundo. É viver a minha vida, que já é grande coisa. Isso intriga alguns aspectos que julgam essa atitude como egoísta. Afinal, a imagem ideal de um ser iluminado se confunde até com atitudes religiosas e com ideais político-sociais. Não vou deixar de compartilhar e expor minhas ideias. Talvez vou até experimentar mandar alguém “se danar”, se for o caso (eu não cheguei a esse ponto). Mas respiro bem fundo para ficar mais consciente de mim mesma e observar as percepções que construo. Tudo é muito mais além do que eu vejo e concebo. Eu sinto isso.


(Aline Bitencourt)

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