Felicidade e Realização



Estou em casa, no final da tarde, de frente à janela. Tenho uma vista da rua e vejo algumas pessoas caminhando sem sequer notar o pôr do sol. Apesar do movimento apressado, muito provavelmente, elas estão ancoradas às suas realidades. Sinto a energia dos anseios que divagam das suas mentes, tão rapidamente quanto os passos que dão em direção à “felicidade”. Parece inevitável não me misturar a todo esse movimento de “busca por realização na vida”. Mas paro um momento e sinto uma sensação de alívio ao me dar conta de que não faço parte mais dessa busca.

Em um passado bem próximo, acreditava que havia uma perspectiva linear - começo, meio e fim - a ser seguida na vida. E, por isso, me isentei de ser o próprio projetista da minha realidade. Com crenças enraizadas sobre como o mundo e as pessoas deveriam estar, já fiz pesquisas, atividades, procurei diagnósticos e quis implantar resultados para os meus questionamentos. Também tentei exaurir minhas necessidades nas supostas “leis naturais ou divinas”. As crenças, energeticamente, não estão isoladas umas das outras. Elas se fundem e se confundem. Por isso, com a expansão da minha consciência, foi inevitável uma colisão de crenças. Na minha cabeça, havia um paradoxo de conceitos. Culpas... Inferno... Templos... Liberdade... Desobediência... Gravidade... Atração... 

Também já tentei ser digno. Para mim, era importante me sentir merecedor para poder desfrutar, sem culpa, tudo o que a vida me oferecia. Não concebia ver a vida se revelando simplesmente. Eu dizia a mim mesmo: “Preciso fazer alguma coisa para a vida acontecer!”. No meio de tudo isso, sentia angústia, pois, em algum nível, já percebia que eu era mais do que achava que era e que só seria meu o que eu aceitasse que fosse. Quando esse saber começou a vir à tona, passei a enxergar minhas “sombras”. 

Eu não gostaria que minha vida tivesse sido de outra forma. Compreendo que tudo foi o “apropriado” para mim. Hoje, me pergunto, ao sentir as energias de “busca por felicidade”: “Como eu estou criando o meu agora?”. Respiro profundamente e a minha consciência me relembra... Sinto a resposta em mim... Mas a resposta da consciência não é sobre minhas necessidades humanas. É uma resposta baseada no “saber de um Mestre” que sou e não no “saber do intelecto”. Também não é uma resposta a perguntas lineares: “Como ganhar dinheiro?”; “como escrever da maneira correta?”; “como pintar com as cores mais bonitas?”... A resposta que vem da consciência transcende a dualidade! 

Paro e sinto as energias. E vou além... Mas isso não significa que não tenha, muitas vezes, medo de me expressar e de ser mal interpretado. Existe um mundo aí fora repleto de programações e muitas pessoas que seguem à risca essas programações estão, de algum modo, interagindo comigo. Mas respiro fundo e, simplesmente, me expresso. E, quando assim faço, sinto um alívio: “Ufa, me expressei!”. E sinto gratidão por aceitar como estou. 

Muitos têm medo de se expressar por acharem que, ao fazer isso, não estarão mais por “detrás da mureta”. Mas, ao tentar permanecer a todo custo nessa posição, podem ficar mesmo é “em cima do muro”. Por isso, quando me expresso, percebo que o “muro” que me separa da liberdade fica cada vez mais baixo. Mas por que ainda não coloquei esse muro abaixo de uma vez por todas? Por causa das crenças que eu carrego. Crenças! Muitas validadas nos livros que li e nas informações que procurei por anos e anos. 

Podemos nos tornar vítimas das crenças que não transcendermos. Enquanto estivermos “buscando” felicidade e realização, não nos sentiremos bem nem vestidos em uma roupa, quanto mais na nossa própria vida.


(Luiz Henrique)



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