A Ilusão do Temporal


Vi a ventania se aproximando e compreendi que não precisava fazer nada. Simplesmente respirei fundo e permiti que minhas escolhas fluíssem, sem ir de encontro com a ventania. Então, a tempestade caiu e logo me abriguei em um espaço caloroso. Não precisava passar por provas e tribulações mais.  

Mas os trovões insistiam em se propagar e chamavam minha atenção. Faziam ruídos altos, odiosos, cheios de lamentações. Tinha a sensação de que a tempestade tomava conta de mim. Por um momento, pensei que eu fosse os próprios trovões. E me perguntei o que eu estava fazendo ali, no meio daquela tormenta, com nuvens negras e pesadas no ar, chuvas torrenciais... Parecia não haver nada mais além da escuridão do temporal.

Alguns flashes, quando os raios mostravam sua luz, me relembravam de que eu estava exatamente onde escolhi. Respirei profundamente e senti novamente o meu saber - minha bússola interna - que ainda estava comigo e nunca me abandonou. Qualquer experiência que tenho vivido é pura e exclusiva responsabilidade minha. Assim, percebi que nem mesmo havia uma tempestade. Eram apenas ecos de fora, do passado ou do futuro.

Como um filme que se passa numa velha fita cassete, via cenas horripilantes. Cenas essas tão repetitivas e tão remotas. Nada de novo. Mas passava de novo e de novo... E eu ficava presa a um velho cenário. Num momento, dei um “pause”. E logo tive consciência dos presentes deste presente momento, que estavam sempre tão disponíveis para mim.

É sentindo compaixão por tudo que eu fui e por tudo que eu sou que começo a me permitir estar presente nas minhas experiências do agora. O amor que eu tenho por mim afaga a minha humanidade. Eu me perdoo. E o temporal se transforma agora...


(Aline Bitencourt)

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