De Frente à TV


Liguei a televisão meio de bobeira. Pouco tempo depois, comecei a me sentir incomodado, principalmente na hora dos comerciais. Sei que as estratégias de marketing foram criadas para que o público consuma produtos. Mas algumas propagandas chegam a ser patéticas de tão intangíveis nessa busca por um “ideal”.

Vi uma marca muito popular de cosméticos brasileira colocando mulheres de biotipo loiro e magrelo desfilando no calçadão do Rio como se fossem típicas mulheres cariocas. É difícil encontrar um padrão de beleza nesse Brasil tão miscigenado. Mas, pelo menos, poderiam variar os tipos em respeito ao consumidor.

Depois, veio uma propaganda do “Rock in Rio” que, pelo nome, só tocaria rock. E rock para gringo, porque é “in Rio”. Não é “no Rio”. Mas tem atrações de muitos estilos, inclusive música brasileira. E é criticado por isso. A grande jogada desse festival é que atrai também o público do Brasil que não gosta de rock. Ao mesmo tempo em que incita dúvidas sobre a qualidade do festival no quesito “rock”. No final das contas, são questões de brasileiros e seu velho hábito de valorizar mais o que vem de fora do país.

No segmento, vi um trecho de uma entrevista de um famoso ator brasileiro que parecia maravilhado por estar filmando em Hollywood, mesmo que em um papel pequeno. Ele tatuou a bandeira do Brasil no braço para viver o personagem na produção “U.S.A.”. Mas essa tatuagem foi confundida com um hambúrguer por um colega americano. Isso é hilário, porque muitos brasileiros acham chique usar roupas com a bandeira dos Estados Unidos e da Inglaterra ou com frases em inglês. Não é à toa que nossa bandeira é uma “ilustre” desconhecida mundialmente...

No final do intervalo comercial, ainda teve uma manchete dizendo que os inspetores da ONU, junto com os Estados Unidos, teriam chegado à conclusão de que a Síria teria cometido “crimes contra a humanidade”. Concordo. Mas, por que a ONU também não investiga as ações dos Estados Unidos em relação ao mundo?

Lembrei-me daquela música: “A televisão me deixou burro, muito burro demais!”. E, mesmo com todo carinho e apreço que tenho pelos asnos desse mundo, decidi que era melhor desligar a TV.


(Luiz Henrique)

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