O Caminho de Casa


Aspectos “feridos” são como crianças que sofrem maus tratos em casa ou como adolescentes que se sentem excluídos da família e do mundo.

Não adianta tentar convencer um adolescente “problemático” de que você o ama se ele não sente a aceitação da sua parte. Seu primeiro impulso será partir de casa ou passar grande parte do tempo fora, tentando encontrar alguma razão de existir, sempre se culpando e culpando os outros desse sentimento de rejeição.

Na adolescência, quando sentíamos que não estávamos sendo compreendidos por nossos pais, nos deparávamos com a sensação incômoda de que algo em nós não estava certo. Havia algo a ser disciplinado, consertado ou refeito. E, junto desse turbilhão, havia a sensação de que não éramos amados pelos nossos “criadores”. Não éramos bem vindos ao nosso próprio lar.

Da mesma forma acontece com os nossos Aspectos “feridos”. Enquanto houver julgamentos, eles não retornarão. Enquanto não houver aceitação, eles se tornarão o filho que abandonou o lar por se sentir rejeitado.

E quero ressaltar que isso não é sobre “certo” e “errado”, afinal tudo é apropriado. É sobre soberania, aceitação, criação...

Também não é sobre “deletar” o passado. Não é sobre apagar do seu “livro de memórias” essa ou aquela experiência.

É sobre "destilar" a experiência, transformando a dor em compreensão e aceitação.

Algumas pessoas que vivenciam a Respiração Consciente me perguntam por que a mente delas, principalmente nas primeiras experiências, começa a repetir pensamentos desordenados, sem nexo e até, às vezes, com sugestões destrutivas. E eu respondo que é perfeitamente normal que antes, durante ou depois das respirações, os aspectos utilizem a “voz” da mente para se expressarem.

Quando percebo que minha mente começa a "conversar" demais, a convido para participar da respiração, respirando calma e profundamente. O “aspecto” poderá continuar a “falar” dizendo como “sofreu” todo esse tempo, de como não é amado e outras coisas mais. Mas, naturalmente, a mente começa a “serenar”, à medida que o aspecto retorna.

A compreensão e a confiança vão brotando de forma atemporal e isso será sentido dentro do nosso íntimo, sem que nós nos preocupemos com o que o outro vai achar do nosso comportamento.

Honremos cada experiência. Nossa vida são nossas escolhas. Nossa felicidade é nosso presente. O agora é nossa única certeza.


(Luiz Henrique)



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2 comentários:

  1. Muito bom, essa é a parte onde nós temos que dedicar com carinho e respeito pelos nossos aspectos que ainda estão no caminho da volta a nosso EU, deixar fluir para dentro de nós o que é nosso, assim completando o nosso todo, ainda perdido ou melhor tão proximo mas da mente, que venham todos, pois nos pertence e completa o todo. abs a todos

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  2. Apesar de termos muitos aspectos fora do nosso Eu, somos completos em nós mesmos. E a crença de incompletude ou que ainda temos que nos aprimorar é que mantém estes aspectos afastados. Então, cabe a nós permitir verdadeiramente experimentar essa completude. Assim, nossos aspectos podem voltar para nós e não mais comandar ou influenciar a nossa vida. Agradecemos sua partilha, Wanderley! Abração!

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