Luzes da Ribalta: Representando o Criador


Uma das coisas que eu precisei ter mais coragem de fazer foi não precisar ter coragem. A característica de que eu mais me orgulhava era a de ser corajoso. E isso, com o passar do tempo, acabou se tornando um fardo muito difícil de carregar, porque era aí onde minha energia era mais esvaziada. Na verdade, era uma alimentação de ego que não acabava mais.

Em 2007, escolhi passar por algumas experiências muito desafiantes e precisei ser muito frágil para poder enfrentá-las. Desde então, comecei a ficar cada vez com menos necessidade de mostrar que sou corajoso. Nessa época, passei a compreender e aceitar que tenho muitos aspectos. E me dei a oportunidade de integrar o meu lado covarde. Enfrentar a minha covardia foi muito desafiante. Precisei ter muita coragem para me descobrir um covarde. Passei pela experiência de morte dos meus pais e, logo depois, fiquei uns meses separado da Aline e precisei me desalinhar para voltar para mim mesmo. Desde então, descobri o prazer de representar e de não ter medo disso.

Liberei essa de ter uma identidade pro mundo. Quando conheço alguém, não falo mais como eu sou, o que faço; apenas respiro comigo mesmo tudo o que sou e isso simplesmente emana de mim para os outros.

Não tenho medo mais de parecer uma pessoa falsa ou volúvel porque estou representando. É certo que as pessoas mais mentais ficam confusas querendo me decifrar. Tentam delinear um perfil meu, e não conseguem. Fico tranquilo, na minha, e continuo a me expressar de maneira não linear, não lógica e não coerente.

Estou me divertindo muito e experimentando isso mais plenamente também. Eu não estou mais me prendendo a uma única realidade nem a uma única identidade. E isso é mais fácil do que eu jamais imaginei. Ao contrário do que eu receava, nenhum aspecto assumiu o comando. Afinal, quando aprendemos a representar, simplesmente não temos mais comandos. Não há mais o medo de nos sintonizar com o que não escolhemos. É bem simples mesmo... E louco e ridículo muitas vezes também!

Atuando eu aprendi a me aceitar. E a autoaceitação teve um efeito dominó para que ficasse mais simples compreender os outros também. O medo de julgar foi liberado porque eu não emito sentenças sobre tudo o que eu sou.

No início, representar pode causar certo embaraço. Mas é libertador! É um fantástico exercício para liberar, de uma vez por todas, aquele velho incômodo: a preocupação com a opinião alheia por causa daquele velho medo de parecer ridículo.

Como disse o poeta: “Eu Me Amo"! Não posso mais viver sem os muitos de mim!


(Luiz Henrique)



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